Não quero falar sobre o meu detalhe ou minha pequena
salvação mais seria negar minha história.
Um homem velho no auge dos seus trinta anos com seu malboro
entre os dedos aceso, cada tragada menos vida – quanto menos não sei mais a importância
e que diminuía – um copo de café na outra mão. Tudo forte pra uma vida muito
fraca. Não tinha nada, perdeu tudo, sem sorte no jogo ou no amor, dinheiro não
era algo que lhe atraia, ele só acalmar e saber lidar com tudo aquilo que está
ali dentro. Em sua cabeça se ouvia um blues de corta o coração. Não se trata de
solidão ou falta dela se trata do que tem dentro.
Largou sua xícara na bancada, vestiu apenas uma blusa branca
de mangas pretas – o bem dentro do mal ou o mal dentro do bem – era assim que se sentia vazio como a xícara mais
que antes já havia transbordado algo. Deixa suas chaves sobre a mesa e sai de
casa, não levava nada consigo ele próprio já bastava. Nas ruas gélidas ele era
o único sem casaco, sem frio, sem entender, passos calmos, não havia pressa
assim como não havia caminho, não tinha em que pensar tudo que tinha perdeu e
assistiu todas as perdas como quem vê um filme e não participa, já acostumou
tanto a perder que ficar era algo que o assustava, acendeu mais um cigarro e
suspirou. A vida e so um detalhe mais era não era. Ela podia ter escapado mais
sempre aparece de volta.
Sempre acreditei que todas as histórias são iguais, tem o
mesmo ciclo – nasce, estuda, casa, morre. E que independente do que eu fizesse não
sairia desse ciclo, todos estão envoltos no mesmo ciclo e essa e a única certeza
que temos até que aparece aquela coisa – pessoa, objeto, ensinamento, etc – São
detalhes.
Detalhes e disse que se trata a vida e todos os seus ciclos.
Você pode ter 90 anos e nunca ter encontrado esse detalhe ou você pode ter 15 e
ter encontrado.



